PMB/SMASE/OCATHARINENSE
Nem toda violência chega acompanhada de um relato. Muitas vezes, ela aparece em uma lesão que não condiz com a explicação, em mudanças de comportamento, no medo de falar ou até na presença de um acompanhante que responde pela mulher. Reconhecer esses sinais e saber como agir foram os pontos centrais abordados na capacitação “Agosto Lilás: Acolher, Identificar e Proteger – O papel da Saúde no enfrentamento à violência contra a mulher”, realizada nesta segunda-feira (24), em Biguaçu.
A atividade reuniu servidores de diferentes áreas da rede de proteção do município, incluindo Saúde, Assistência Social e Educação, em uma formação voltada ao fortalecimento da atuação integrada diante de situações de violência. A capacitação foi organizada pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde, em parceria com a Unicesumar.
Ministrada pela enfermeira e docente da Unicesumar, Catherine Viscardi, a formação abordou os diferentes tipos de violência contra a mulher, como abuso físico, psicológico, sexual, patrimonial e moral, e os impactos que essas situações podem provocar na saúde física, mental, sexual e reprodutiva.
Durante o encontro, os profissionais foram orientados a observar sinais que podem passar despercebidos durante um atendimento. Lesões incompatíveis com o relato, ansiedade, isolamento, faltas recorrentes a consultas, medo excessivo e comportamentos de controle por parte do acompanhante estão entre os indicativos que exigem atenção.
Outro ponto destacado foi a importância da abordagem adotada, reforçando que acolher uma mulher em situação de violência significa oferecer um espaço seguro e privado, ouvir sem julgamentos e respeitar seu tempo e sua autonomia. Nesse contexto, a escuta qualificada pode ser o primeiro passo para que uma situação até então silenciada seja reconhecida e encaminhada.
A capacitação também tratou da notificação compulsória dos casos de violência e do fluxo de atendimento da rede de proteção. Além de reconhecer uma situação de violação de direitos e integridade, é necessário saber como registrar, comunicar e encaminhar cada caso, garantindo que a mulher tenha acesso aos serviços e às medidas de proteção disponíveis.
Para aproximar o conteúdo da realidade dos atendimentos, a formação incluiu estudo de caso, debate e espaço para perguntas. A proposta foi fortalecer não apenas o conhecimento individual dos profissionais, mas a conexão entre os diferentes setores que integram a rede municipal.
A iniciativa integra a programação do Agosto Lilás 2026 em Biguaçu, que neste ano tem como tema “O Silêncio Mata” e busca ampliar a conscientização sobre a violência contra as mulheres, estimular a denúncia e fortalecer os caminhos de acolhimento e proteção no município.









